A celebridade e o futebol

12 03 2009

Claro que o fato de eu não ser corintiano contribui para a minha indignação com o tratamento da imprensa em relação ao Ronaldo. Mas acredito que a maioria das pessoas, inclusive os alvinegros, também esteja envergonhada com a parcialidade da mídia. Sobretudo da Globo.

O cara joga muito, óbvio. Mesmo fora de forma e sem ritmo de jogo, tem um nível técnico acima do normal. Mas não consigo entender o que leva apresentadores e comentaristas a praticamente lamber o saco do camisa 9.

Para mim, só duas coisas podem explicar: 1) um amor pela seleção brasileira tão doentio quanto o amor pelo clube _o que eu acredito que deve acometer menos de 1% da população_ ou 2) a necessidade das empresas de comunicação em supervalorizar uma marca e explorá-la ao extremo para ganhar mais consumidores.

Agora, tudo que acontece no Corinthians é “fenomenal”. Já vi jornalistas experientes, com rodagem, dizendo estar emocionados por terem “vivido na época em que Ronaldo ressurgiu para o futebol”. Ah, pelo amor de Deus. Claro que é legal ver um craque jogando bola, mas os comentários acerca do jogador estão extrapolando o próprio jogo de bola. O futebol é maior do que os ídolos. Os clubes são muito maiores do que o jogador.

O Ronaldo ainda vai fazer muitos gols. Mas também vai jogar mal, vai ser xingado, vai se aposentar. E o Corinthians vai continuar acelerando corações, seja com Souza, Herrera, Alcindo ou o Zé da Esquina no ataque.

Para finalizar, um episódio inescrupuloso e uma pérola que ouvi recentemente. No “Bem, Amigos” da última segunda-feira, Galvão Bueno promoveu uma ode ao convidado Ronaldo pedindo para que todos os comentaristas do programa fizessem um depoimento sobre ele. Passada a babação, quando Renato Maurício Prado pediu a palavra para fazer uma pergunta ao atacante, Galvão, como se fosse o travesti de estimação do jogador, soltou: “Mas pega leve, hein!?”. Renato e o próprio Ronaldo desacreditaram na recomendação do apresentador…

A pérola, eu ouvi ao final do jogo contra o São Cateano. Flávio Gomes, um cara que eu acho divertido e inteligente, mostrou-se afetado com o vírus do puxasaquismo e lançou: “A presença do Ronaldo contribui até para diminuir a violência, pois o torcedor fica constrangido de brigar tendo uma estrela no seu time”. Essa doeu.


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